Co-design em Obras Industriais

Entenda como o co-design em obras industriais reduz riscos, otimiza custos operacionais e aumenta a eficiência de fábricas, centros de distribuição e data centers.

2 de jan. de 2026

Obras industriais apresentam um nível de complexidade significativamente superior ao de empreendimentos convencionais. Fábricas, centros de distribuição e data centers exigem precisão técnica, integração entre sistemas e total alinhamento com a operação futura. Ainda assim, muitos projetos seguem um modelo linear, no qual requisitos são definidos de forma isolada, projetos são desenvolvidos sem validação operacional e a execução absorve conflitos que poderiam ter sido evitados.

O co-design surge como uma abordagem estruturada para romper esse modelo sequencial. Trata-se de uma metodologia colaborativa que integra cliente, operação, engenharia e construção desde as fases iniciais, com foco direto na geração de valor ao longo de todo o ciclo de vida do ativo industrial.

O que é co-design aplicado a obras industriais

Co-design, ou design colaborativo, é a prática de desenvolver projetos de forma integrada, considerando simultaneamente os interesses técnicos, operacionais, financeiros e construtivos. Em obras industriais, essa abordagem se torna crítica, pois o edifício não é um fim em si mesmo, mas um meio para viabilizar processos produtivos, logísticos ou tecnológicos.

Participam ativamente do co-design os responsáveis pela operação e manutenção, o time do cliente, os projetistas e a equipe de execução. Essa integração elimina decisões isoladas e reduz o risco de soluções tecnicamente corretas, porém ineficientes do ponto de vista operacional.

Pilares do co-design industrial

O primeiro pilar é a interdisciplinaridade real. Estruturas, processos industriais, sistemas elétricos, mecânicos, hidráulicos e de automação são pensados de forma integrada, e não em camadas independentes.

O segundo pilar é a tomada de decisão orientada a valor. Cada escolha de projeto é avaliada pelo impacto direto na eficiência operacional, na segurança, no custo total de propriedade e na flexibilidade futura da planta.

O terceiro pilar é a iteração contínua. O projeto não avança de forma linear, mas passa por ciclos de validação, simulação e ajustes antes da consolidação, reduzindo incertezas e retrabalho.

Fase de iniciação: onde o co-design começa de fato

O sucesso do co-design depende de uma estruturação clara desde o início do projeto. A fase de iniciação define como as decisões serão tomadas, quem participa e quais métricas guiarão o processo.

Workshop de alinhamento e mapeamento operacional

O ponto de partida é um workshop de alinhamento com a participação obrigatória das equipes de operação e manutenção. O objetivo não é discutir layout, mas entender como o ativo deve funcionar no dia a dia.

Nessa etapa são levantados requisitos operacionais críticos, como tempos máximos de parada para manutenção, restrições de circulação, fluxos de materiais, requisitos de segurança e necessidades de expansão futura. O projeto de engenharia passa a responder a esses fluxos, e não o contrário.

Definição de KPIs além de prazo e custo

Em obras industriais, prazo e orçamento são necessários, mas insuficientes. O co-design incorpora indicadores de desempenho diretamente relacionados ao negócio do cliente.

Indicadores como eficiência global dos equipamentos, densidade logística, tempo de retorno do investimento, consumo energético e índices de segurança passam a orientar decisões de projeto. Isso muda a lógica do desenvolvimento, pois soluções são avaliadas pelo impacto no resultado operacional e financeiro do ativo.

Aplicação prática do co-design na engenharia

A colaboração se materializa por meio de métodos, ferramentas e rituais técnicos que permitem validação contínua.

BIM colaborativo como plataforma central

A modelagem da informação da construção é o principal suporte técnico do co-design. O modelo BIM deixa de ser apenas um instrumento de compatibilização e passa a ser um ambiente de decisão.

Reuniões de revisão são realizadas diretamente no modelo tridimensional, permitindo que operadores e equipes de manutenção avaliem acessos, ergonomia, interferências e lógica de operação antes da execução. Essa validação antecipada reduz ajustes em obra e melhora a qualidade do projeto final.

Além disso, a participação da construtora desde essa fase permite análises de construtibilidade, identificando soluções que reduzem prazo, custo e risco de execução sem comprometer a função do ativo.

Value engineering orientado à operação

No contexto do co-design, a engenharia de valor não se limita à redução de custos diretos. O foco está na relação entre função e custo ao longo do ciclo de vida.

Em vez de eliminar especificações indiscriminadamente, avalia-se se cada elemento do projeto contribui efetivamente para a operação. Em muitos casos, soluções mais flexíveis, modulares ou de fácil manutenção geram maior valor operacional do que alternativas mais robustas, porém rígidas.

Esse raciocínio é especialmente relevante em sistemas elétricos, mecânicos e de utilidades, onde decisões de layout e acessibilidade impactam diretamente o tempo de manutenção e a disponibilidade da planta.

Simulação e gêmeos digitais como apoio à decisão

A simulação é uma ferramenta estratégica no co-design industrial. Layouts podem ser testados virtualmente para avaliar fluxos logísticos, movimentação de equipamentos, circulação de pessoas e possíveis gargalos.

Modelos de desempenho permitem simular consumo energético, conforto térmico e eficiência de sistemas antes da construção. Isso viabiliza decisões técnicas baseadas em dados e reduz riscos de subdimensionamento ou desperdício de recursos.

Em projetos mais complexos, a adoção de gêmeos digitais permite que o modelo desenvolvido em projeto seja utilizado também na fase de operação, ampliando o retorno do investimento em engenharia.

Gestão da mudança e rastreabilidade das decisões

Por ser iterativo, o co-design exige disciplina na gestão das decisões. Cada alteração precisa ser registrada, justificada e validada com base nos indicadores definidos.

A documentação clara das decisões evita conflitos futuros, protege o projeto de mudanças desordenadas e garante alinhamento entre todos os envolvidos. As especificações técnicas passam a refletir não apenas normas, mas também requisitos operacionais reais.

Conclusão

O co-design em obras industriais transforma o projeto e a construção em um processo estratégico, orientado à performance do ativo e aos objetivos de negócio do cliente. Ao integrar operação, engenharia e execução desde o início, reduz-se risco, melhora-se a eficiência e maximiza-se o valor entregue.

A Terzo Engenharia atua com metodologia colaborativa em obras industriais, integrando engenharia, construtibilidade e operação para desenvolver ativos eficientes, seguros e alinhados à realidade produtiva dos clientes. Sabemos fazer obras industriais com co-design, critério técnico e foco em resultado operacional.